a maioria dos desenvolvedores, pensava. Eu só não encontrei o ambiente certo
ainda.
Comecei a trabalhar no departamento de TI da minha universidade através de
uma recomendação do meu amigo Walter, que tinha me visto trabalhar com com-
putadores, o suficiente para saber que eu provavelmente poderia fazê-los trabalhar melhor do que a maioria das pessoas que precisavam de ajuda na universidade. Eu
não acreditava que eu podia, sem ter nenhum tipo de treinamento. Eu era apenas um tocador de saxofone que gostava de jogar videogame. Mas Walter me candidatou em
uma vaga e marcou uma entrevista para mim. Fui contratado sem nem uma única
questão técnica ter sido perguntada, e era para começar imediatamente.
Quando eu apareci no trabalho, estava morrendo de medo de ser descoberto
como um charlatão, o que eu realmente era. O que é que este saxofonista está fazendo aqui com a gente, profissionais treinados? Afinal, eu estava trabalhando com gente que tinha níveis avançados em ciência da computação. E aqui estava, tendo
cursado só uma parte da faculdade de Música, tentando me encaixar como se eu
soubesse alguma coisa.
Depois de alguns dias de trabalho, a verdade começou a afundar. Essas pes-
soas não fazem ideia do que estão fazendo! Na verdade, algumas pessoas estavam
me observando trabalhar e tomando notas! Pessoas com mestrado em ciência dacomputação!
Minha primeira reação foi assumir que eu estava cercado por idiotas. Afinal, eu
não tinha nenhum treinamento formal. Passei minhas noites tocando em bandas
de bar e meus dias jogando videogame. Eu tinha aprendido a trabalhar com com-
putadores só porque eu estava interessado neles. Na verdade, eu aprendi a escrever programas porque eu queria fazer meus próprios jogos de computador. Eu chegava
em casa tarde depois de uma noite ensurdecedora em algum bar e ficava até o sol nascer em sites Gopher com tutoriais sobre programação. Aí eu ia dormir, acordava e continuava estudando até que a hora em que eu tinha que sair e tocar novamente. Eu parava meus estudos com meus amados jogos, comia e depois voltava para brincar
com Gopher e qualquer compilador que eu conseguisse fazer funcionar.
Trabalhe porque você não poderia não trabalhar.
Pensando bem, eu era viciado, mas de um jeito bom. Meu desejo por criar tinha
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Casa do Código
Capítulo 10. Ame-o ou deixe-o
sido despertado em grande parte da mesma forma que quando comecei a escrever
música clássica ou tocar jazz. Eu era obcecado por aprender tudo o que eu pudesse.
Eu não estava ali para uma nova carreira. Na verdade, muitos dos meus amigos
músicos achavam isso uma irresponsável distração da minha carreira atual. Eu estava lá porque eu não poderia não estar.
Esta foi a diferença entre eu e os meus superestudados, mas de baixo rendimento, colegas de trabalho. Paixão.
Essas pessoas não tinham ideia de por que eles estavam na área de TI. Eles se encontraram por acaso em suas carreiras, porque acharam que programar podia pagar bem, porque os seus pais os incentivaram ou porque não conseguiam pensar em
um curso melhor na faculdade. Infelizmente o seu desempenho no trabalho refletia isso.
Se você pensar nas biografias que você leu ou nos documentários a que assistiu
sobre os grandes nomes em vários campos, esse mesmo padrão de vício e comporta-
mento apaixonado aparece. Diz-se que o grande saxofonista de jazz, John
Coltrane, praticava tanto que seus lábios chegavam a sangrar.
É claro, o talento natural tem um grande papel na habilidade. Nem todos podem
ser Mozart ou Coltrane. Mas todos nós podemos dar um grande passo longe da
mediocridade encontrando um trabalho pelo qual somos apaixonados.
Pode ser um domínio ou negócio que lhe interesse. Ou, por outro lado, pode
ser uma tecnologia específica ou domínio de negócio que o afunde. Ou um tipo de
empresa. Talvez você esteja destinado a pequenas equipes ou a times grandes. Ou a processos rígidos. Ou a processos ágeis. Qualquer que seja a combinação, leva algum tempo para encontrar a sua.
Você pode fingir por um tempo, mas a falta de paixão vai pegar você e seu tra-
balho.
Sendo um oportunista em série
por James Duncan Davidson
Desde o início, eu não tive o que muitos consideram uma carreira tradicional.
Pelo contrário, tem sido muito mais um caminho de seguir as oportunidades con-
forme elas aparecem. A primeira apareceu enquanto eu estava na escola trabalhando em uma licenciatura em arquitetura. Eu tinha decidido na idade de 15 ou 16 anos que eu queria ser um arquiteto, e passei muito tempo investindo no futuro. Mas as se-mentes do que realmente seria a minha carreira depois da escola foram plantadas
em meu fascínio precoce com sistemas online BBS. Eu era um daqueles garotos que
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Casa do Código
amavam o modem de 300 no PC da família. Isso me levou, eventualmente, para a
internet, que por sua vez me levou a Gopher e, então, World Wide Web.
A web imediatamente me fisgou. Eu construí vários sites pessoais em rápida
sequência e aproveitei toda a tecnologia à minha disposição, ensinando a mim