mesmo conforme necessário. Na época, eu pensei neste trabalho como experimen-
tos em cyber-architetura. Parece muito grandioso e até mesmo bastante idiota agora, mas era o mundo em que nós dos primeiros tempos da web vivíamos. Estávamos
tentando imaginar o que o futuro poderia trazer.
Naturalmente, o verdadeiro trabalho de construir o futuro da internet não estava acontecendo nos laboratórios de arquitetura. Ele estava acontecendo no mundo dos negócios. Em pouco tempo, e com base no que eu tinha feito com o meu site pú-
blico, fui contatado por uma startup que estava construindo websites para os Hilton, Better Business Bureau e semelhantes. Eles tinham visto os sites eu havia construído, e, aparentemente, eu tinha o conjunto de habilidades de que eles precisavam.
Ofereceram-me um trabalho com o que parecia, na época, um salário ridiculamente
grande. Aceitei-o, imaginando que eu poderia aproveitar a onda por um tempo, ga-
nhar algum dinheiro, e voltar para a escola em poucos anos.
Foi em 1995. Mal sabia eu quão longe as coisas iriam e aonde um pouco de von-
tade de mergulhar em algo novo iria me levar.
Enquanto eu ajudava a construir a primeira versão do website Hilton, que tinha
posicionamento de reservas em tempo real, aprendi como construir sites usando
uma variedades de tecnologias do lado do servidor. Em poucos meses, eu passei de aprendiz a criador de meus próprios frameworks. Olhando para trás, parece ridículo, mas naquele momento, isso era o que era necessário. Eu vi uma abertura, aceitei-a, e apostei nela por tudo que valia, reinventando a mim mesmo conforme necessário.
Uma coisa levou à outra. Em 1997, fui para a JavaSoft trabalhar aplicações servi-doras, e em poucos anos, acabei encarregado da especificação Servlet. Infelizmente, era um esforço subfinanciado, e eu não tinha uma equipe para me ajudar a fazer tudo que precisava ser feito, incluindo construir uma nova implementação de referência.
Mas eu não deixei isso me parar, e dei início ao desenvolvimento de uma implemen-tação completamente nova, que eventualmente foi lançada como o Kit JavaServer
Web Development. Poucos se lembram desse software. Mas a maioria dos que tra-
balham com Java sabe sobre a versão seguinte daquele código. É o chamado Tomcat.
E ele foi lançado mundialmente via Fundação Apache com um sócio chamado Ant.
A história por trás desse lançamento daria um livro. O suficiente é dizer que tudo aconteceu graças a um perfeito conjunto de oportunidades nas quais estive disposto 44
Casa do Código
Capítulo 10. Ame-o ou deixe-o
a apostar.
Depois de trabalhar na Sun por quatro anos e encarar uma questão do tipo O
que eu devo fazer agora?, decidi me tornar independente. Escrevi livros para a
OReilly, desenvolvi
software para Mac, desenvolvi alguns softwares próprios que acabei não lançando. E terminei fazendo um pouco de desenvolvimento Ruby on
Rails. Ser um desenvolvedor de software independente foi bom para mim e sou bas-
tante bom nisso. Mas ao longo do caminho, um hobby que eu estava perseguindo
começou a se transformar em uma própria carreira.
Além de ser um estudante de arquitetura que se tornou tecnólogo, eu era tam-
bém um fotógrafo havia um bom tempo. Minha avó tinha me ensinado o básico.
Meus pais me encorajaram. Como resultado, até onde posso me lembrar, eu tinha
uma câmera por perto. Isso tem sido uma grande parte da minha vida. Aliás, o software não lançado que eu escrevi para mim mesmo depois de deixar a Sun era para
o trabalho com fotografia.
Em 2005, dez anos depois que eu fiz uma pausa e mudei de estudante de arqui-
tetura para desenvolvedor de software, fui chamado por meus amigos do grupo de
conferências OReilly. Eles precisavam de alguém para documentar seus eventos e
perguntaram se eu não estaria interessado em ir tirar algumas fotos. Eu aceitei, mas em vez de somente tirar algumas fotos, fui além da minha causa. Fiquei maluco e
trabalhei em todas as sessões importantes, e postei imagens no Flickr para fornecer um retorno extremamente rápido. Fui convidado de novo e, nos últimos quatro
anos, construí um negócio em torno disso com uma boa gama de clientes.
Enquanto escrevo isso, eu ainda faço código de tempos em tempos, e até de-
senvolvo um pouco para alguns clientes. Mas, na maior parte, eu sou um fotógrafo full-time nos dias de hoje. Contudo, isso pode mudar. Nunca se sabe. É difícil dizer o que o futuro trará.
O que eu sei é que sou um oportunista. Quando vejo algo interessante e excitante para mim, eu mergulho dentro disso e faço o que for preciso para obter sucesso. Geralmente, isso significa aprender habilidades e desenvolver novas capacidades. Alguns podem achar que construir novas habilidades é um entrave, mas por alguma
razão, eu adoro aprender como fazer coisas novas. Afinal, novas habilidades per-
mitem que você faça coisas novas. E eu nunca me defini por minhas habilidades.
Ao contrário, sempre me defini pelo que fiz e pelo que eu quero fazer em seguida.
Habilidades são apenas um caminho para chegar lá.