uma empresa específica, da qual ele não era um empregado. E se a empresa acabar?
E se sua tecnologia se tornar obsoleta? Por que você quer confiar sua carreira a uma empresa de tecnologia?
De alguma maneira, como uma indústria, nós mesmos nos enganamos ao pen-
sar que líder de mercado é a mesma coisa que padrão. Assim, para algumas pessoas, parece inteligente fazer com que o produto de uma empresa faça parte da sua identidade. Pior ainda, alguns baseiam suas carreiras em torno de produtos que nem
líderes de mercado são pelo menos até suas carreiras falharem miseravelmente e Casa do Código
sua única escolha for repensar sua estratégia perdedora.
Vamos parar para lembrar que devemos pensar na nossa carreira como um ne-
gócio. Embora seja possível construir um negócio que seja um parasita de outro
negócio (como empresas que constroem softwares de remoção de spyware para su-
prir falhas de segurança do navegador da Microsoft), como uma pessoa, isso é uma coisa extremamente arriscada de se fazer. Uma empresa, como a do exemplo do
spyware, geralmente pode reagir às mudanças no mercado, como uma melhoria na
segurança do navegador da Microsoft (ou a Microsoft decidir entrar no mercado de remoção de spyware), enquanto que uma pessoa não tem a mão de obra ou dinheiro
sobrando, para de repente, mudar de direção na carreira.
Uma visão centrada apenas no fornecedor é uma visão míope.
O lado triste da visão centrada no fornecedor é que, normalmente, os detalhes de implementação do software de um fornecedor são um segredo. Você pode aprender
bastante sobre o software de alguém, até chegar na barreira do serviço profissional.
Essa é uma barreira artificial que a empresa impõe entre você e a solução para um problema possível, dessa forma, ela pode lucrar vendendo o suporte. Algumas vezes, essa barreira é proposital, e às vezes é um efeito colateral da tentativa da empresa de proteger sua propriedade intelectual (não compartilhando o código-fonte).
Assim, apesar de que o investimento em uma única determinada tecnologia seja
quase sempre uma má ideia, se você precisar fazer isso, considere focar em uma opção open source, ao invés de uma comercial. Mesmo que você não possa ou não
queira usar uma solução open source no seu trabalho, use-a para conseguir ir mais a fundo na tecnologia. Por exemplo, você pode querer se tornar um especialista em como funcionam os servidores de aplicação J2EE. Em vez de concentrar seus esforços sobre os detalhes de como configurar e implantar um servidor de aplicação comercial (afinal, qualquer um pode descobrir como ajustar as configurações em um arquivo
de configuração, certo?), baixe o código fonte do JBoss ou Geronimo e reserve um tempo para si mesmo, não só para aprender a operar os servidores, mas para estudar suas partes internas.
Em pouco tempo, você vai perceber que naturalmente o seu ponto de vista vai
mudar. Esse negócio de J2EE (ou seja lá o que você escolheu estudar) realmente não é nada de tão especial. Agora que você vê os detalhes da implementação, pode perceber que há padrões conceituais ali no meio. E começar a perceber que, seja com 38
Casa do Código
Capítulo 9. Não coloque todos os seus ovos num só cesto
Java ou outra linguagem ou plataforma, arquitetura distribuída é arquitetura distribuída. Sua visão aumenta e sua mente começa a abrir. Você começa a perceber que
os conceitos e padrões que o seu cérebro está organizando e assimilando são muito mais escaláveis e universais do que qualquer tecnologia de uma empresa específica.
Não importa o fornecedor, eu sei como criar um sistema!
Faça algo
1) Tente um projeto pequeno, duas vezes. Tente uma vez em sua tecnologia padrão e, depois, da forma mais idiomática possível, faça em uma tecnologia concorrente.
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Capítulo 10
Ame-o ou deixe-o
Pode soar como uma espécie de historinha clichê feita pra despertar aquela exaltação idealista em você, mas é muito importante para deixar de falar. Se você quer ser realmente bom no seu trabalho, você tem que ser apaixonado por ele. Se você não
dá a mínima pra ele, isso vai transparecer.
Quando minha esposa e eu nos mudamos para Bangalore, eu estava bem ani-
mado. Pela primeira vez na minha carreira, estava
ansioso para encontrar tecnó-
logos com paixão por aprender. Estava esperando uma vida pós-trabalho cheia de
reuniões de grupo de usuários e profundas discussões filosóficas sobre técnicas e metodologias de desenvolvimento de software. Eu estava esperando encontrar o Silicon Valley da Índia cheio de artesãos, entusiastas da grande arte de desenvolver software.
O que eu encontrei foi um monte de gente que estava lá só pra receber seu salário e poucos artistas apaixonados.
Era igual ao lugar de onde vim.
Claro, na hora eu não percebi que era igual ao lugar de onde vim. Eu tinha algu-
mas referências dos Estados Unidos, mas sempre achei que era porque eu trabalhava Casa do Código
em cidades ruins ou em empresas com ambiente ruim. Sempre achei que minhas
primeiras experiências na área de TI tinham sido exceções. Deve ser assim com