Victory Storm - Atração De Sangue стр 7.

Книгу можно купить на ЛитРес.
Всего за 313.53 руб. Купить полную версию
Шрифт
Фон

«Por quanto tempo pensas continuar assim?» perguntou-me Dominick, cansado do meu silêncio.

«Para sempre» sussurrei.

«Então és uma idiota. Claro que o Kevin tem a sua cota parte de culpa porque sempre te iludiu com os seus gestos carinhosos e gentis, mas foste tu quem construiu castelos no ar. Ele nunca disse que te amava e muito menos que queria estar contigo, assim se confundiste uma paixoneta de rapariguita imatura com amor, a responsabilidade é apenas tua. Cresce porque o amor é outra coisa» desabafou Dominick furioso.

Era a primeira vez que se dirigia a mim daquela maneira e não estava mesmo nada à espera.

Olhei-o chateada.

«Então, diz-me o que é o amor» provoquei-o com um tom de voz ácido.

«É um sentimento muito mais profundo, que se constrói com o tempo e estando próximo da outra pessoa tanto nos momentos mais felizes como nos mais difíceis. Se amasses realmente o Kevin, estarias feliz pela sua escolha, porque desejarias a sua felicidade e o seu bem-estar. O amor verdadeiro não é um desejo egoísta, como o teu!».

Pensei muitas vezes naquelas palavras tão duras e fortes.

Por fim, percebi que o padre Dominick tinha razão. Aliás, o que eu sabia verdadeiramente do Kevin, para além do facto que era sempre gentil com os clientes?

Para ser sincera, não sabia nada dele.

Não sabia qual era o seu prato preferido, que tipo de música escutava, o que gostava de fazer no seu tempo livre, para além de estar com a Clara, se era desorganizado ou meticuloso...

Todavia, não conseguirei esquecer todos aqueles anos dedicados a fantasiar acerca dele e de uma possível história de amor toda nossa.

Em poucos dias, voltei a comer, dormir e falar.

A tia Cecília ficou tremendamente aliviada ao ver-me novamente em forma, sobretudo depois de ter tomado a minha hemodose e voltar a ser falastrona como antes. Durante dias tinha tentado fazer-me comer, preparando-me todo o género de comida, mas eu tinha desistido. A minha recusa contínua em dirigir-lhe a palavra, também a tinha feito desesperar.

Por fim, também eu estava feliz por voltar a ser a Vera de antigamente.

Um dia, era quase noite, quando o telefone tocou.

Eu estava entretida com o enésimo filme de amor choramingas, por isso não lhe prestei atenção. Foi a minha tia a atendê-lo.

Não conseguia compreender o que a tia dizia, mas apercebi-me que tinha acontecido algo de grave, porque o seu tom de voz mudou e ficou muito preocupada.

Foi um curto telefonema.

«Está tudo bem?» perguntei-lhe, quando a vi regressar da cozinha, onde tínhamos o telefone.

«Infelizmente, o cardeal Montagnard morreu de um enfarte».

«Lamento. Conhecias-lho bem?».

«Sim. Estava muito ligada a ele e admirava-o tanto como homem, quanto como eclesiástico» explicou-me a tia com lágrimas nos olhos.

Era a primeira vez que via a tia triste pela perda de alguém e não pensava que pudesse sofrer assim tanto.

Ficou apática e silenciosa durante dias, atormentada pela sua dor.

Por fim, decidi esperar a segunda-feira da semana seguinte.

Na escola tinha sido convocada uma greve contra a lei da redução dos professores e por isso, teria todo o dia livre e estava determinada a levar a tia ao centro comercial para fazer compras.

Ainda que não tivesse muito dinheiro de parte, devido à minha reduzida mesada semanal, tinha intenções de comprar-lhe um presente nem que para isso, gastasse todas as minhas poupanças.

Queria levá-la às lojas e comprar-lhe um perfume, uma camisola ou um livro.

Qualquer coisa que lhe fizesse voltar a sorrir.

Por sorte, aquela segunda-feira chegou rápido.

Levantei-me à hora habitual, mas desci com calma para tomar o pequeno-almoço, depois de me ter lavado e vestido cuidadosamente.

«Vera, é tardíssimo! De certeza que vais perder o autocarro!» repreendeu-me a tia, mal coloquei os pés na cozinha.

«Hoje não tenho que ir à escola! Há greve» expliquei-lhe imediatamente com um grande sorriso nos lábios.

«Ah, sim. Talvez me tinhas dito... não me lembro» respondeu-me a tia com um tom de voz ausente.

«Pois. Por isso, decidi ir à cidade, porque tenho que comprar um livro para a escola. Podes acompanhar-me, por favor? Menti. Sabia que se dissesse à minha tia que queria levá-la às compras, nunca aceitaria, mas se se tratasse de material escolar, estaria sempre pronta.

«Está bem, mas agora não. Prometi ao Ahmed que falávamos sobre o novo gado, que chegará até o fim da manhã, mas hoje à tarde de certeza que te posso levar à livraria» assegurou-me.

Projeto adiado.

Detestava adiar os meus planos, porque depois chegava o enésimo contratempo a estragar tudo.

Devia tê-lo antecipado para o dia anterior.

Assim dei por mim a não saber o que fazer.

Acabei por optar pela televisão.

Passou-me a vontade de sair.

Estava prestes a voltar para o quarto para mudar de roupa, quando de repente, soou a campainha.

Fui abrir.

Era Dominick acompanhado de dois homens altos e maciços, vestidos de negro com o desenho de uma cruz branca com uma gota vermelha ao centro, bordado no bolso do casaco.

Fiquei tão curiosa com aqueles dois endemoniados, nunca antes vistos, imóveis perante a porta da minha casa, que não prestei atenção à voz transtornada do padre Dominick, que me empurrou bruscamente para dentro de casa e gritou o nome da minha tia.

«Cecília, têm que se ir embora! Agora!» gritou o padre Dominick aterrorizado.

«O que está a acontecer?» perguntou-lhe a tia, tentando não mostrar a sua angústia.

«Eles sabem tudo e estão a chegar!» gritou novamente o padre Dominick.

«Eles quem?» intrometi-me alarmada.

Ninguém me respondeu, mas percebi que a tia sabia a quem o padre se referia, porque levou a mão direita à boca, para tentar sufocar um grito.

«Mas como é possível?» sussurrou a tia com um fio de voz.

«Assassinaram-no! Assassinaram o cardeal Montagnard, depois de o terem feito confessar! Agora eles sabem tudo e vocês não estão mais seguras. Virão procurá-las e quando o fizerem, apanharão a Vera e vão matá-la».

Eu? Mas o que tinha a ver com isto tudo?

Estava tão chocada que não consegui abrir a boca.

«Dispararam-lhe em vez de usarem o seu habitual modo de atacar. Por isso, a Ordem levou tanto tempo a perceber quem era o culpado do homicídio. De certeza que foi o Blake. Só ele e o seu bando são capazes de um crime semelhante. Ninguém sabe o que aconteceu realmente, mas ao que parece o cardeal contou tudo ao Blake, provavelmente sob tortura» continuou o padre Dominick.

«Mas é terrível!».

«Pois e agora devem fugir. Já vos reservei um quarto num hotel em Dublin. Quando chegarem, receberemos novas ordens do cardeal Siringer, que nos quer encontrar».

«Mas como fazemos?» suspirou a tia abalada.

Naquela quinta estava a sua casa, a sua vida.

E também a minha.

«Temos que partir imediatamente. Vamos viajar toda a noite, se necessário. Seremos escoltados por dois membros de confiança da Ordem, sob coordenação do cardeal Siringer, que nos levarão primeiro ao hotel e depois ao lugar prefixado para o encontro. Por isso, mexam-se! Levem o mínimo indispensável e vamos embora!» recomeçou a gritar o padre Dominick.

Por alguns segundos, que me pareceram horas, a tia e o padre olharam-se intensamente nos olhos, depois disso, como que movida por uma força inexplicável, a tia agarrou-me por um braço e arrastou-me pelas escadas até ao meu quarto.

Ваша оценка очень важна

0
Шрифт
Фон

Помогите Вашим друзьям узнать о библиотеке

Скачать книгу

Если нет возможности читать онлайн, скачайте книгу файлом для электронной книжки и читайте офлайн.

fb2.zip txt txt.zip rtf.zip a4.pdf a6.pdf mobi.prc epub ios.epub fb3

Популярные книги автора