entrega. Recomenda-se que seja um curto espaço de tempo. Com a visão do produto
em mente é necessário estabelecer quais são as funcionalidades que podem agregar
maior valor, ou seja, as que possuem maior valor de negócio e serão incluídas mais
rapidamente nos releases.
Tendo em mãos a velocidade do time é possível ter uma ideia de quantas fun-
cionalidades podem ser incluídas em um determinado período de tempo, e então
dividir as funcionalidades em releases.
Não planeje para prazos muito longos. Quanto mais longo o prazo, maior a in-
certeza. Não é necessário, e nem recomendável, escrever e analisar todas as histórias no início do projeto. Da mesma forma que a equipe aprende e aprimora suas técnicas de desenvolvimento a cada release, o cliente utiliza o software e novas ideias surgem, bem como ideias antigas podem ser deixadas de lado. É por isso que não
é interessante tentar prever futuros muito distantes: quanto mais distante, maior a incerteza.
Uma grande diferença dos métodos ágeis em relação aos tradicionais é que os
métodos ágeis não tentam impedir o cliente de realizar mudanças no planejamento.
59
3.11. Roadmap do Produto
Casa do Código
Em vez disso, considera-se que o cliente também aprende ao longo do projeto e suas
mudanças trarão benefício. É claro que deve haver algum tipo de proteção para que
as mudanças com frequência exagerada não tornem o projeto inviável. Tanto o XP
como Scrum aconselham que ao menos a iteração atual não seja modificada.
É importante entender a diferença e a relação entre iteração e release. Os releases representam entregas e as iterações representam ciclos que estão contidos dentro
dos releases. As iterações representam um determinado intervalo de tempo em que
algumas histórias serão implementadas.
Nas iterações podem estar contidas diversas atividades como as reuniões de re-
visão e retrospectivas, discutidas. É possível, por exemplo, definir releases mensais com quatro iterações de uma semana cada. Não existe regra quanto à periodicidade
dos releases, afinal cada projeto tem suas particularidades e um release pode implicar em uma série de fatores, como por exemplo, implantação e treinamento. Por isso, o
número de releases e iterações estipulados devem estar alinhados às necessidades da sua organização.
Ao final do release o software é entregue para o cliente pronto para produção.
3.11
Roadmap do Produto
O Roadmap é uma ferramenta útil para traçar um plano de alto nível sobre futuros
releases e marcos importantes do produto que serão alcançados ao longo do tempo.
O Roadmap oferece visibilidade de que funcionalidades serão entregues pri-
meiro e quais serão entregues depois e em quais releases, e além disso apresenta
marcos importantes do produto que está sendo construindo (ver figura 3.8).
Figura 3.8: Roadmap
60
Casa do Código
Capítulo 3. Foco em Valor para o Negócio
Como desenvolvimento de software é altamente complexo por natureza e difícil
de se estimar e prever, num contexto ágil, o roadmap é uma ferramenta útil para
mostrar intenções de release e apresentar marcos do produto, mas não tanto para
definir prazos exatos de entrega de funcionalidades, justamente porque é natural
que mudanças no escopo do produto ocorram ao longo do desenvolvimento. Por
isso usa-se mais como um critério relativo do que absoluto, por exemplo, na figura
3.8 pode-se ver que a funcionalidade de preço, será lançada depois da de pedido, mas se está definindo uma data exata para isso.
Muitas vezes o roadmap pode ser útil para equipes de Marketing e de Negócio se
posicionarem em relação a (mais ou menos) quando determinadas funcionalidades
estarão disponíveis para fins de publicidade, treinamentos etc.
3.12
Mantenha as Opções Abertas
Um do princípios por detrás de muitas práticas dos métodos ágeis é a liberdade de
escolha [40]. Chris Matts e Olav Maassen chamam-no de Opções Reais (em inglês
Real Options).
Apesar de não ser exatamente a mesma coisa do que as opções do mercado fi-
nanceiro (stock options), há uma relação entre os conceitos. As opções do mercado
financeiro conferem ao titular o direito (e não obrigação/compromisso) de comprar
um determinado ativo (ação, título ou bem qualquer) por um valor determinado,
enquanto o vendedor é obrigado a concluir a transação.
Quando você compra um ingresso para o cinema, por exemplo, para você é uma
opção porque mesmo tendo comprado o ingresso você pode ou não ir ver o filme; já
para o cinema isso é mais um compromisso, porque ele já te vendeu o bilhete e agora precisará passar o filme no horário determinado. Vai depender do ponto de vista de
cada um dos lados da relação.
Muitas vezes nós vemos e encaramos as coisas como compromissos em situações
que poderíamos encarar como opções. Opções que podemos ou não exercer.
O pensamento de opções reais consiste em enxergar e avaliar todas essas opções
ao seu redor e comprometer apenas de forma deliberada. Caso contrário, sempre
se deve deixar para assumir o compromisso no último momento possível, ou seja,