deiras equipes ágeis são formadas de pessoas, com uma diversidade de habilidades,
que trabalham colaborativamente com uma visão compartilhada para atingir deter-
minados objetivos.
As pessoas precisam trabalhar algum tempo juntas e passar por todos esses está-
gios, por isso não se deve mover pessoas de uma equipe para outra com alta frequên-
cia, como se fossem peças de xadrez, essa instabilidade toda pode destruir a integridade do time. Isso não significa que de vez em quando não seja interessante que
as pessoas mudem de equipe para que possam diversificar suas experiências, mas é
preciso encontrar um ponto de equilíbrio saudável. Ambos os extremos são inefici-
entes.
No artigo "Your Path to Agile Fluency, Diana Larsey e James Shore [57] afirmam que o turnover é a principal causa da perda de fluência em uma equipe ágil, e que
quando uma equipe ganha ou perde membros, enfrenta problemas para sustentar
aquilo que já havia sido aprendido.
Em 1977, Bruce Tuckman, criador da teoria das dinâmicas de grupos, publicou
uma artigo chamado Estágios de Tuckman que descreve esse processo de maturi-
dade em quatro estágios: Formação, Confronto, Normatização e Performance (veja
na figura 2.1.
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2.1. Evolução e Maturidade de uma Equipe Ágil
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Figura 2.1: Estágios de Tuckman
Cada um dos estágios citados anteriormente possui algumas características pró-
prias:
1. Formação: Este é o primeiro estágio pelo qual uma equipe recém formada
passará, é o momento em que os membros da equipe começam a conhecer uns aos
outros, procuram entender quais são as habilidade de cada um, e as tendências de
comportamento de cada pessoa. Nesse estágio também se estabelecem os primeiros
objetivos coletivos e completam-se algumas tarefas, mas a ênfase das pessoas ainda
é mais individual do que coletiva.
2. Confronto: Conflitos aparecem à medida que diferentes ideias para atingir objetivos vão surgindo e as metas coletivas identificadas no estágio de formação são questionadas. Alguns membros podem se abalar por essa situação. Uma liderança
forte é extremamente importante para que a equipe passe por este estágio.
3. Normatização: É neste estágio que as pessoas realmente passam a priorizar os objetivos coletivos da equipe sobre os objetivos individuais de cada membro, por isso, a equipe consegue entrar em consenso mais facilmente.
4.Performance: A equipe já possui todas as competências necessárias para atingir seus objetivos, todos estão comprometidos e motivados, e atuam com verdadeiro
espírito de equipe, pensando em termos de nós em vez de eu ou eles. Conflitos são facilmente solucionados.
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Casa do Código
Capítulo 2. Fluência Ágil
Maturidade Ágil
Além de uma equipe unida e forte que saiba trabalhar colaborativamente, é pre-
ciso aprender a se trabalhar com métodos ágeis, e amadurecer na utilização das prá-
ticas ágeis.
A arte marcial Aikido, utiliza um método de aprendizagem desenvolvido no Ja-
pão a mais de 4 séculos atrás chamado Shu-Ha-Ri [17] (figura 2.2) que consiste em três níveis de habilidade que podem ser utilizados como referência para qualquer
nova prática, habilidade ou competência a ser aprendida, inclusive métodos ágeis.
Os três estágios são:
Figura 2.2: Shu Ra Hi
1. Shu:
Representa o primeiro estágio da aprendizagem de uma habilidade, em
que é necessário se construir a base, a fundação do que se está aprendendo.
O aprendiz busca observar, copiar e imitar o que alguém que já tem experiência
faz, geralmente, um mestre. Neste estágio é mais eficiente seguir regras do que tentar improvisar ou modificar técnicas.
Uma equipe que está começando a trabalhar com métodos ágeis, certamente, por
algum tempo estará nesse estágio. É um momento importante para seguir as regras
do método numa abordagem by-the-book, ou seja, sem alterações ou improvisos.
Se uma equipe está utilizando Scrum, neste estágio, por exemplo, é importante que
todos os papéis sejam assumidos, e que todas as reuniões sejam realizadas de acordo com as regras. Esse é um momento em que pode ser importante procurar ajuda de
alguém que tenha experiência com métodos ágeis.
2. Ha: Esse é o segundo estágio, em que o estudante já começa a pensar mais profundamente sobre os porquês das coisas, quebra algumas regras, e rompe um pouco
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2.2. Ordem, Caos e Complexidade
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com a tradição. Agora, já é possível refletir sobre o que foi aprendido e compreender melhor os princípios em vez de apenas repetir ou seguir regras.
É nesse estágio que algumas adaptações ao contexto podem começar surgir, no-
vas práticas são inseridas, e insights de experiências passadas servem como base para tomadas de decisão. Agora, mesmo que as coisas mudem um pouco em sua forma
(práticas, papéis, reuniões), a equipe estará pronta para manter a essência da agilidade (entregas frequentes, respeito às pessoas, comprometimento, colaboração, co-
municação etc.).
3. Ri: Neste último estágio, a prática já se torna parte de quem está aprendendo e, apesar de ainda seguir algumas regras (mesmo aquelas que foram quebras e reinven-tadas) [4], tudo parece ser natural, e o aprendizado vem da prática e da experiência.