Se não, o que poderia ser feito diferente para que isso melhorasse?
Reflita sobre seu projeto atual: Você e seus colegas estão de fato trabalhando
colaborativamente em equipe? Estão entregando software em funcionamento com
numa frequência adequada? Como vocês lidam com as mudanças de prioridade de
negócio do cliente? Quais são os benefícios que você espera alcançar com a utiliza-
ção de métodos ágeis em suas equipe? O que métodos ágeis podem trazer de positivo
para seu cliente? Como podem beneficiar sua equipe? Verifique cada um dos bene-
fícios listados neste capítulo e pense se estão em alinhamento com o que você espera melhorar em sua organização.
Pense nos diferentes papéis e práticas de sua equipe. Todos eles de fato estão
agregando valor ao projeto?
19
Capítulo 2
Fluência Ágil
Em um experimento científico [58], um grupo de cientistas colocou cinco macacos
numa jaula. No meio da jaula, havia uma escada e sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam
um jato de água fria nos outros macacos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco tentava subir na escada, os outros
batiam nele (com medo de tomar outro jato). Depois de algum tempo, nenhum
macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Os cientistas, então, trocaram um dos macacos por outro novo. Quando ele ten-
tou subir a escada para pegar as bananas, também apanhou dos outros. Outro ma-
caco foi substituído e o mesmo episódio se repetiu por diversas vezes, e inclusive os novos macacos aprenderam a bater nos outros que tentavam pegar as bananas.
Depois de algum tempo, todos os macacos foram substituídos, porém o hábito
permaneceu, e mesmos os macacos que nunca viram o jato dágua continuavam ba-
tendo naqueles que tentavam subir para pegar bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse
Casa do Código
subir a escada, com certeza a resposta seria algo do tipo: Não sei, mas as coisas
sempre foram assim por aqui.
Você já viu alguma coisa desse tipo acontecer nas empresas em que trabalhou?
Alguma regra que já não faz mais sentido, mas que, porém, continua sendo utilizada
por todos, mesmo sem que saiba o motivo? Infelizmente, isso não é tão incomum, e
inclusive equipes ágeis podem cair nesse engano.
Métodos ágeis ganharam bastante popularidade e, atualmente, vêm sendo utili-
zados por grande parte das organizações que desenvolvem software, mas essa popu-
laridade também trouxe alguns problemas.
Muitos passaram a se interessar por métodos ágeis apenas porque grandes
players do mercado estão utilizando, porém não buscaram entender a essência (co-
laboração, agregar valor de negócio, entregas frequentes etc.), e ficaram apenas na forma (quadros na parede, estimativas com cartas, backlogs, etc.).
Diana Larsey e James Shore [57] afirmaram que muitos líderes de organizações
ainda se queixam de que não estão conseguindo alcançar os benefícios que esperam
com a adoção de métodos ágeis e, por isso, desenvolveram um modelo de fluência
ágil para ajudar as organizações a alcançarem esses benefícios com mais eficiência.
Para Larsey e Shore, a fluência ágil diz respeito à maneira com que a equipe res-
ponde quando está sob pressão: Qualquer um pode seguir um conjunto de práticas
quando há tempo para focar em uma sala de aula, mas a verdadeira fluência requer
habilidade e prática frequente que persiste mesmo quando sua mente está distraída
com outras coisas, é uma questão de hábitos.
Essa fluência ágil está relacionada não apenas com a capacitação dos membros da
equipe, mas também com as estruturas de gestão, com os relacionamentos, a cultura
organizacional e práticas da equipe.
Para conquistar a fluência ágil, uma equipe deverá passar por 4 estágios distintos: 1) Foco no Valor (Atuar na Cultura na Equipe).
2) Entrega de Valor (Atuar nas Habilidades da Equipe).
3) Otimização de Valor (Atuar na Estrutura Organizacional).
4) Otimização Sistêmica (Atuar na Cultural Organizacional).
Ao longo deste livro, nós exploraremos o que você pode fazer para ajudar sua
equipe e sua organização a trilhar esse caminho que os levará a um melhor apro-
veitamento
dos benefícios que os métodos ágeis podem oferecer. E para que não
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Casa do Código
Capítulo 2. Fluência Ágil
façamos como os macacos, nós vamos buscar entender não apenas a forma das prá-
ticas, mas também a essência de cada uma delas.
2.1
Evolução e Maturidade de uma Equipe Ágil
Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso, e trabalhar em conjunto é
a vitória.
Henry Ford
Sempre que uma nova equipe é formada, naturalmente, um processo de maturi-
dade acontece [51]. É notável que um equipe que acabou de se formar não trabalha
com a mesma produtividade e dinamismo que uma equipe cujas pessoas já tiveram
algum tempo para se conhecer, os seus pontos fortes e suas dificuldades.
Métodos ágeis requerem verdadeiras equipes, não apenas grupos [53]. E verda-