Gomes Andre Faria - Agile. Desenvolvimento de software com entregas frequentes e foco no valor de negocio стр 12.

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3. Ri: Neste último estágio, a prática já se torna parte de quem está aprendendo e, apesar de ainda seguir algumas regras (mesmo aquelas que foram quebras e reinven-tadas) [4], tudo parece ser natural, e o aprendizado vem da prática e da experiência.

É importante notar que uma equipe pode estar em estágios diferentes depen-

dendo da referência, por exemplo, um time pode estar no estágio Ri em se falando

de entregas frequentes, mas pode estar no estágio Shu em relação à programação em

par.

Uma lição importante deste modelo é que há um momento certo de maturidade

para se quebrar as regras, adaptar e improvisar. Um aluno iniciante (no estágio Shu) de artes marciais que tentar mudar os movimentos ensinados pelo mestre poderá

facilmente fazer algo errado e se machucar, já um aluno intermediário (no estágio

Ha), provavelmente, estará mais preparado para encontrar seu próprio estilo sem

correr altos riscos.

O mesmo ocorre com uma equipe que está utilizando métodos ágeis, se num

momento precoce tentar adaptar ou quebrar as regras, antes de ter compreendido

mais profundamente os princípios, corre o risco de estar fazendo alguma outra coisa

qualquer e as continuar chamando de métodos ágeis.

2.2

Ordem, Caos e Complexidade

Assim como há muitos tons de cinza entre o preto e o branco, entre o caos (de-

sordem) e a ordem, há também alguns níveis [8]. Quando tentamos trazer nossas

organizações para o extremo da ordem, para que possamos tornar as coisas mais

previsíveis e manter tudo sob controle, criamos uma série regras, e enrijecemos o

sistema, tornando-o pouco adaptativo e burocrático. Por outro lado, quando não

há nenhuma regra, nenhuma restrição, nenhum líder, o sistema se encontra no que

chamamos de caos sem nenhuma previsibilidade e você não consegue ter a menor

ideia do que está acontecendo ou para aonde as coisas estão caminhando.

26

Casa do Código

Capítulo 2. Fluência Ágil

Para ilustrar a diferença entre a Ordem e o Caos, imagine que você está indo

com sua família passar o final de semana na praia. Você tem dois filhos pequenos

e danados, um menino, e uma menina. Seu cônjuge foi fazer um caminhada e você

ficou responsável pelas crianças. Se você optar pelo Caos extremo, não dirá nada para as crianças e as deixará completamente livres para fazerem aquilo que quiserem, não

as advertirá, não haverá limites, nem restrições, nem regras. Liberdade total, tudo é possível! Nem é preciso falar que a probabilidade de uma criança se afogar e a outra entrar no meio de um jogo de futebol e tomar uma bolada

é bem alta.

Agora, se você optar pela ordem extrema, dirá a seus filhos:

Sentem-se aqui na minha frente, brinquem de fazer castelo com 500 metros de altura

e duas torres, usem o balde e as pazinhas, não saiam daqui enquanto eu não

autorizar, não chorem, não gritem, não levantem, e (imagine e inclua mais umas 50

regras aqui).

Num contexto totalmente ordenado, todas as variáveis devem ser isoladas, e por

isso é possível prever acontecimentos, porém, note que ambos os extremos são exa-

gerados. No primeiro, as crianças acabam se machucando por excesso de liberdade

e negligência, no segundo exemplo, as crianças mal podem se divertir pois preci-

sam seguir ordens restritas e não têm liberdade alguma para se auto-organizar ou

expressar sua individualidade e criatividade.

O meio termo entre esses extremos, seria dar às crianças algumas restrições bá-

sicas para certificar-se de que elas poderão brincar sem que nada de mal ocorra a

elas. Você diria algo do tipo: - Crianças podem brincar do que quiserem, e fiquem

onde eu possa vê-los, e não deixem que a água ultrapasse a cintura de vocês.

Agora pense em uma equipe de desenvolvimento de software que não possui

nenhuma regra comum entre os membros da equipe, cada um escreve código da

maneira que acha melhor, uns escrevem testes outros não, alguns utilizam certas

convenções, outros utilizam outras, cada um trabalha em sua linguagem de progra-

mação preferida, alguns trabalham no escritório outros de casa, cada um define sua

frequência de integração do código.

Dá pra imaginar que esse cenário seria um bagunça, não é? Por outro lado uma

equipe que está no extremo da ordem possui regras para tudo, não tem nenhuma

liberdade para expressar sua criatividade ou para solucionar os problemas, todos os

horários estão definidos, as tecnologias, as linguagens de programação, o que se pode fazer, o que não se pode fazer. Há pouca ou nenhuma variação.

27

2.2. Ordem, Caos e Complexidade

Casa do Código

Os métodos ágeis são uma resposta ao caos e à ordem, e propõem um cenário

que está justamente no meio termo: a complexidade [8] (veja na figura 2.3. Muitos

autores chamam isso de a beira do caos. Você só precisa de um pouco ordem para

que o sistema possa se auto-organizar para atingir um determinado objetivo. Não

mais do que isso. E essa ordem geralmente está presente nos métodos ágeis na

forma de restrições.

Figura 2.3: Complexidade

Toda organização é um sistema complexo adaptativo, é como um jogo em que as

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