é a minha linguagem favorita na qual eu faço praticamente todo o meu
trabalho
sério e aquele para o qual eu co-organizo uma conferência internacional a cada ano
está em décimo primeiro lugar. E no momento em que a primeira edição deste
livro foi publicada, ela não ficou nem entre os top vinte. Ficou abaixo de ABAP!
Por que Ruby? Eu estava louco ou fui burro? Deve ser um dos dois, certo?
Em seu trabalho chamado Grandes Hackers http://paulgraham.com/gh.
html, Paul Graham deixou a comunidade de desenvolvedores irritadíssima com a
afirmação de que os programadores Java não eram tão espertos quanto quem pro-
gramava em Python. Ele deixou bravo um monte de programadores Java burros (eu
disse isso?), fazendo com que vários deles escrevessem respostas a ele em seus sites.
A reação violenta indica que ele atingiu algo. Eu estava na plateia quando seu trabalho foi apresentado pela primeira vez, na forma de um discurso. Ele causou um
flashback em mim.
Eu estava em uma viagem de recrutamento na Índia, no meio de centenas de
candidatos para dezenas de vagas, e a equipe de entrevistadores estava cansada e ficando sem tempo por conta do baixo índice de entrevistas bem sucedidas, que re-sultassem em contratações. Com dores de cabeça e olhos vermelhos, fizemos uma
reunião tarde da noite para discutir uma mudança estratégica na forma como iría-
mos abordar os candidatos. Nos tínhamos que otimizar o processo para que pudés-
semos entrevistar mais pessoas ou de alguma forma entrevistar pessoas melhores (ou ambos). Com o pouco que restava da minha voz depois de doze horas seguidas de
tentar arrancar respostas de programadores mudos, eu pedi para adicionar Smalltalk para a lista de palavras-chave que nossos headhunters estavam usando para procurar no banco de dados de currículos. Mas ninguém sabe Smalltalk na Índia, gritou o diretor de recursos humanos. Esse foi o meu ponto. Ninguém sabia, e programar
em Smalltalk era uma experiência diferente de programar em Java. A mudança da
experiência daria aos candidatos um nível diferente de expectativas, e a natureza di-nâmica de Smalltalk levaria a uma outra maneira com a qual um programador Java
iria abordar um problema. Minha esperança era que esses fatores encorajassem um
nível de maturidade técnica que eu não tinha visto dentre os candidatos que eu conhecia até então.
A adição de Smalltalk para a lista de requisitos rendeu um grupo de candidatos
que era pequeno se comparado com nossa lista anterior. Essas pessoas eram diamantes brutos. Elas realmente aprenderam programação orientada a objetos. Estavam
cientes de que o Java não era a loucura idealista como às vezes era pintada. Muitos deles amavam programar! "Onde você esteve nas últimas duas semanas? , nós 18
Casa do Código
Capítulo 5. Invista em sua inteligência
pensávamos.
Infelizmente, a nossa capacidade de atrair esses desenvolvedores, com os salários que éramos capazes de pagar, era limitada. Eles ditavam o tom, e a maioria deles pre-feriu ficar onde estava ou continuou procurando um novo emprego. Apesar de não
conseguirmos recrutar muitos deles, aprendemos uma lição valiosa de recrutamento: nós estávamos mais propensos a fazer propostas para candidatos com experiências
diversas (e até mesmo pouco ortodoxas) do que para aqueles cuja experiência era
homogênea. Minha explicação é que, ou as pessoas boas buscam a diversidade, pois elas amam aprender coisas novas, ou ser forçado em experiências e ambientes mais exóticos criava programadores mais maduros e preparados. Eu acredito que seja um pouco dos dois, mas, independentemente do motivo pelo qual ele funciona, a gente descobriu que isso funciona. Eu continuo usando esta técnica quando procuro desenvolvedores.
Então, ao invés de tentar simplesmente aparecer na minha frente quando eu esti-
ver à procura de alguém para contratar, por que você não vai investir em tecnologias em que você raramente terá a chance de ser pago para trabalhar?
Para mim, como um gerente de contratação, a primeira razão é que isso mostra
que você está interessado. Se eu sei que você aprendeu alguma coisa por causa do autodesenvolvimento e (melhor ainda) pura diversão, eu sei que você está animado e motivado sobre a sua profissão. Fico muito irritado quando pergunto às pessoas se elas já viram ou usaram algumas tecnologias não tradicionais e ouço como resposta:
não me deram a oportunidade de trabalhar com isso. Não lhe deram oportunidade?
Pra mim também
não! Eu fiz a oportunidade para aprender.
Não lhe deram a oportunidade...? Faça a oportunidade!
Mais importante do que retratar a percepção de que se está devidamente moti-
vado e engajado em sua área é que a exposição a essas tecnologias e metodologias não tradicionais lhe traz mais profundidade e o torna melhor, mais inteligente e mais criativo.
Se essa não é uma razão suficientemente boa, então provavelmente você está na
profissão errada.
Faça algo
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Casa do Código
1) Aprenda uma nova linguagem de programação. Mas não vá de Java para C# ou