muitas empresas que utilizam estas tecnologias. O mesmo é verdade para os domí-
nios. Ao escolher em qual indústria trabalhar, você deve ter o mesmo cuidado que teve ao decidir quais tecnologias dominar.
Agora é hora de pensar nos domínios em que você investe seu tempo.
Além da importância que se deve dar ao escolher um domínio ao montar seu
portfólio, a empresa e indústria em que você escolher trabalhar se tornam um investimento significativo em si próprio. Se você ainda não tiver parado para pensar em 10
Casa do Código
Capítulo 3. Escrever código não é suficiente
quais domínios deveria investir, agora é a hora. Cada dia que passa é uma oportunidade perdida. Da mesma forma que deixar suas economias em uma conta poupança
de baixo rendimento, enquanto é possível conseguir taxas de juros mais altas, deixar o seu desenvolvimento em negócios parado é uma péssima escolha de investimento.
Faça algo
1) Agende um almoço com um empresário. Converse sobre como eles trabalham.
Durante a conversa, pergunte a si mesmo o que você teria que mudar ou aprender
se quisesse ter o trabalho dele. Pergunte sobre as especificidades do seu trabalho.
Converse sobre como tecnologia os ajudam (ou atrapalham). Pense no seu tra-
balho a partir da perspectiva deles.
Faça isso regularmente.
Isso pode parecer uma ideia estranha ou desconfortável. Tudo bem. Eu comecei
a fazer isso há muitos anos e isso fez uma grande diferença na forma como eu
entendia e me relacionava com o negócio no qual eu estava trabalhando. Eu tam-
bém me senti mais confortável falando com os meus clientes, o que é um efeito
colateral positivo.
2) Pegue uma revista especializada na indústria de sua empresa. Provavelmente você não terá nem sequer que comprá-la. A maioria das empresas tem essas revistas
espalhadas em algum lugar. Comece a lê-la. Provavelmente você não irá entender
tudo o que lê, mas seja persistente. Faça listas de perguntas que você pode fazer a seus gerentes ou clientes. Mesmo que suas perguntas lhe pareçam estúpidas, seus
clientes vão perceber que você está tentando aprender.
Procure sites que você possa monitorar de forma regular. Tanto nos sites como
nas revistas, preste atenção ao assunto das grandes notícias e dos artigos. Quais são os problemas que a indústria está tentando resolver? Qual é o novo assunto
dominante? Seja o que for, converse sobre isso com seus clientes. Peça para eles lhe explicarem e darem suas opiniões. Pense em como essas tendências atuais
afetarão sua empresa, sua área, sua equipe, e eventualmente, o seu trabalho.
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Capítulo 4
Seja o pior
Pat Metheny, lendário guitarrista de jazz, costuma dar um conselho para jovens mú-
sicos: Sempre seja o pior cara da banda em que você estiver.
Antes de iniciar minha carreira em TI, eu tocava jazz e saxofone profissional-
mente. Como músico, eu tive a sorte de aprender esta lição bem cedo. Ser o pior
cara da banda significa sempre tocar com pessoas que são melhores do que você.
Seja o pior em qualquer grupo em que estiver.
Agora, por que você escolheria ser a pior pessoa em uma banda? Isso não é
irritante?, você se pergunta. Sim, é extremamente irritante, no começo. Como um jovem músico, eu me via em situações em que ficava tão óbvio que eu era o pior cara da banda, que eu tinha certeza que iria ficar de fora. Eu apareceria para o show mas nem pegaria meu sax, com medo de ser expulso da apresentação. Eu estava perto de pessoas as quais antes eu observava e em cujo nível esperava tocar, às vezes como o instrumento principal.
Casa do Código
Sem falhar (felizmente!), algo mágico acontecia: eu me encaixava no grupo. E
não me destacava como uma estrela entre os outros músicos. Mas por outro lado, eu não era, também, deixado de lado. Isto acontecia por duas razões. A primeira é que eu não era tão ruim quanto eu pensava. Vou falar disso depois.
A razão mais interessante pela qual eu me encaixava com estes caras tão bons,
alguns até meus heróis, é que minha música se parecia com a deles. Eu achava que eu tinha algum tipo de super poder de me transformar em um gênio simplesmente por
estar ao lado de algum deles, mas na verdade, é algo bem menos interessante que isso.
Era um comportamento instintivo, programado em mim. É o mesmo fenômeno que
faz com que eu fale mais difícil, use um diferente vocabulário ou hábitos gramaticais quando estou perto de pessoas que falam de forma diferente. Quando voltamos da
Índia, após viver um ano e meio por lá, minha esposa, às vezes, me ouvia falando e morria de rir. Você ouviu o que você disse? eu estava falando inglês indiano.
Ser o pior cara da banda trouxe o mesmo comportamento em mim como um
saxofonista. Naturalmente eu tocava como os outros. O que torna esse fenômeno
realmente sem glamour é que quando eu tocava em cassinos e bares com bandas
não tão boas, eu tocava mal como eles. Além disso, meio que naturalmente eu via
os maus hábitos das bandas sendo levados por mim para as noites nas quais eu não tocava com eles.