tava. Nós culpávamos os gerentes incompetentes que haviam convocado a reunião,
pelo que sentíamos que era uma completa perda de tempo.
Você não pode criativamente ajudar em um negócio antes de saber como ele funciona.
Olhando para trás, eu percebo como nós éramos bobos. Trabalhávamos para
uma empresa, e nossa função era contribuir para ou fazer, ou economizar dinheiro para aquela empresa. Ainda assim não entendíamos o básico de como um negó-
cio se torna lucrativo. Pior ainda, nós não pensávamos que era nosso dever saber.
Nós éramos programadores e administradores de sistema. Pensávamos que nossos
trabalhos eram
estritamente sobre aqueles tópicos aos quais nos devotávamos. Contudo, como nós supostamente poderíamos contribuir criativamente para que aquele negócio fosse rentável, se nem mesmo entendíamos como isso funcionava?
O uso da palavra criativamente no parágrafo anterior é a chave. É plausível ter a visão de que somos, de fato, especialistas em TI e que é para isso que somos pagos. Dados os projetos e liderança corretos, nós deveríamos nos esforçar em tarefas que contribuíssem para a empresa. Não precisamos entender totalmente como uma
empresa opera para dar-lhe valor.
Mas para criativamente adicionar valor, é preciso uma compreensão mais completa do ambiente de negócios em que você trabalha. No mundo dos negócios, ou-
vimos a frase ponto de partida o tempo todo. Quantos de nós realmente entendem o que é o ponto de partida e o que contribui para ele? Mais importante, quantos de nós realmente entendem como nós contribuímos para o ponto de partida? A organização é um centro de custo ou de lucros (você adiciona ou retira do ponto de partida)?
Conhecer a conduta financeira e linguagem da sua empresa vai lhe propor-
cionar a habilidade de fazer mudanças significativas, em vez de tentar acertar no escuro em coisas que lhe parecem intuitivamente certas.
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Casa do Código
Capítulo 12. Aprenda como os negócios realmente funcionam
Faça algo
1) Procure um livro básico sobre negócios, e trabalhe com ele. Uma dica para en-
contrar um bom livro com uma visão geral é procurar por livros sobre MBA. Um
desses livros que eu acho particularmente útil (e agradavelmente curto) é o The
Ten-Day MBA [9]. Você realmente pode concluí-lo em dez dias. Ele não custa
caro.
2) Peça a alguém para orientá-lo na área de finanças da sua empresa e expicar como funcionam as coisas (se isso for uma informação que sua empresa não se importe
em compartilhar com seus funcionários).
3) Explique para eles de volta.
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Capítulo 13
Encontre um mentor
Uma coisa que a cultura musical do jazz realmente acertou foi a prática de mentoria.
No mundo do jazz, é comum os jovens músicos procurarem os mais experientes, que
os carregarão sob sua asas e passarão seus conhecimentos de jazz. Mas isso não para por aí. Esses músicos mais velhos geralmente servem como um conselheiro de carreira, e da vida toda. Em troca, os músicos jovens são devotamente fiéis, construindo uma rede de apoio de apreciadores fanáticos em torno de seus mentores.
Contatos são feitos e músicos são contratados todos os dias por meio desses relacionamentos. A sociedade do jazz criou uma cultura auto-organizada e um conjunto de costumes em torno do relacionamento com o mentor. É um sistema que funciona
tão bem que você suspeitaria que ele é guiado por algum tipo de entidade organiza-dora.
É OK depender de alguém. Só tenha certeza de que é a pessoa certa.
No mundo profissional tradicional (e especificamente na área de TI), nós esta-
mos menos propensos a pedir ajuda uns aos outros. Depender dos outros é fre-
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quentemente visto como um sinal de fraqueza. Temos medo de admitir que não
somos perfeitos. Tudo é competição. Apenas os fortes sobrevivem, e isso é tudo. Infelizmente, isso leva a um sistema de mentoria extremamente subdesenvolvido. Se
tivéssemos que perguntar a um grupo de músicos de jazz: Quem é seu mentor?, a
maioria deles teria uma resposta. Agora faça a mesma questão para programadores.
Nos Estados Unidos, eles provavelmente responderiam O quê?.
Nem sempre foi assim por aqui. A história do oeste inclui um próspero sistema
de mentoria profissional, que vem desde a Idade Média. A abordagem do artesatado ao treinamento profissional era ainda mais forte e mais formalizado que o sistema que evoluiu na cena musical. Pessoas jovens começavam suas carreiras profissionais como aprendizes de respeitáveis mestres artesãos. Elas trabalhavam em troca de um salário nominal e pelo privilégio de aprender com o mestre, cuja obrigação era treinar os discípulos para criarem coisas seguindo a mesma tradição (e qualidade) que a sua própria.
O primeiro e mais importante propósito de um mentor é ser um modelo a seguir.
É difícil saber o que é possível ser feito até que você veja alguém que possa ir além dos limites que você conhece. Um modelo estabelece o padrão do que bom significa.
Se você se imaginasse como um jogador de xadrez, por exemplo, só o fato de poder vencer as pessoas de sua família imediata pode ser muito bom. Contudo, se você